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Editora e Distribuidora


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O lançamento do livro “A MINHA VERSÃO DA HISTÓRIA” de Carlena Weber movimenta Gravataí

O lançamento do livro “A minha versão da história” de Carlena Weber lotou acarlena visão 2 Biblioteca Monteiro Lobato em Gravataí.


A equipe da editora Vivilendo sente-se feliz com mais esta meta alcançada em 2015, que contribui para reafirmar nossa missão: Atuar para que aumente, cada vez mais, o número de leitores no Brasil, incentivar novos escritores e marcar de forma significativa com nossos projetos a história da literatura brasileira.
Agradecemos à Fundarc, Prefeitura de Gravataí, Biblioteca Pública Monteiro Lobato e a todos os funcionários envolvidos pelo apoio ao evento que contou com um grande público na noite do dia 14 de agosto.
No livro, a autora relata um acidente de carro na BR 101, no ano 2000, que mudou os rumos de sua vida. Com o impacto, ela ficou tetraplégica e, a partir daquele dia, precisou se reinventar. Hoje, Assistente Social pós-graduada, decide compartilhar sua trajetória, recapitulando as experiências e dificuldades que enfrentou até reconquistar sua autonomia, numa narrativa corajosa, forte, mas ao mesmo tempo, conservando leveza e
bom humor.


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ESTALOS…

 

…de pequenos objetos chamaram sua atenção. Ana não conseguia dormir, as imagens apavorantes do pai morto, de sua mãe com o amante, de Alex e Manchado tentando encontrá-la, de Eliana sendo dopada e enganada por eles, tudo isso lhe vinha à mente, sem que ela conseguisse organizar os pensamentos ou mesmo dispensá-los como fazia com as preocupações que tinha antes desses acontecimentos. A troca de escola, aguentar um pouquinho os papos chatos dos amigos, o fato de ela ser considerada um pouco estranha, a falta de seus amigos, as traições do pai, a maluquice da avó, seu desejo não atendido de estudar na escola náutica, a incompreensão da mãe sobre sua personalidade, tudo isso parecia ridículo diante do que ela estava vivenciando.

Queria seus problemas de volta, sua vida igualzinha, era tão fácil lidar com aquilo. Por que não mostravam um filme, pensava ela, de como poderia ser pior, só para que fosse mais simples estar feliz com a vida como ela era? Algumas lágrimas rolaram, mas ela tentou contê-las. Precisava ser forte e pensar numa solução. Não poderia ficar fugindo com essa doida. Nesse instante, ela começou a escutar os pequenos estalos, pareciam objetos tilintando, caindo um sobre outro, então tentou enxergar, sem que fosse vista. Ana tinha uma lanterna pequena e estava sentada num canto com uma espécie de caixa de madeira, a qual continha algumas bolinhas luminosas, ela pegava cada uma e a colocava numa caixa, passando de um lugar para outro. Seu rosto tinha uma expressão indecifrável, um brilho que a menina não sabia se vinha da lanterna ou de seus olhos. Aquilo chamou tanto sua atenção, que, sem sentir, ela levantou a cabeça para olhar.

Como num passe de mágica, Ana a viu e partiu para cima dela, incontrolável, tomada de um acesso de loucura. Já levantava a taquara decidida a espancar a menina.

— Você está me espionando? Não tem medo do perigo? Quer meu tesouro? — disse ela, pegando a menina pelos braços, sacudindo-a braços e ameaçando-a com a vara…”

FRAGAMENTO DO LIVRO : DE PIRATAS E PÉROLAS , de Viviane De Gil.cenário 2


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CLUBE DE LEITURA VIVILENDO

O projeto nasceu da minha paixão pela leitura e também de tornar, além de muito agradável, igualmente útil o acervo que eu acumulei em casa, desde a minha infância até o momento. Achei que a quantidade de livros que eu tinha e que viria a ter (pois jamais deixarei de adquirir), poderia servir para várias pessoas. Unindo isto, a minha formação, Mestrado e Doutorado em literatura, além de ser escritora, decidi abrir um clube de leitura. Visitei algumas locadoras, mas eu desejava fazer algo informal e ao mesmo tempo, que passasse a ideia de seriedade, para que o livro fosse preservado e devolvido.

Comecei a colocá-lo em prática em 2004.O local escolhido foi muito inspirador: debaixo da escada da minha casa, em prateleiras, que foram crescendo e se amontoando porque, como citou tão bem, Alberto Manguel, no livro Biblioteca à noite: “Bibliotecas são entidades em crescimento constante; parecem multiplicar-se por si sós, reproduzem-se por aquisição, furto, empréstimo, doação, por lacunas associativas ou pelos mais variados esforços de completude.”

Como ao lado da minha casa, nós tínhamos um pequeno chalé de madeira que alugávamos, visualizei meu projeto e com a ajuda da família, realizamos a mudança e a inauguração  em 2008, com vários convidados entre aqueles que já eram sócios, vizinhos e familiares.

Iniciei o trabalho, criei formulários de entrega, cadastro de livros e a divulgação foi realizada de forma direta entre os conhecidos. A quantia cobrada era mensal e o valor definido apenas simbólico.

Como o nosso quintal é fértil, a ideia floresceu, deu frutos e hoje o chalé branco com janelas azuis abriga a sede da editora Vivilendo e vários projetos. Hoje temos um acervo com grande variedade de gêneros para todos os gostos, atendemos público de todas as idades, realizamos eventos como a SEXTA DE CAFÉ COM LIVROS (reunião de sócios para bater papo sobre leitura), e também realizamos uma atividade voluntária de contação de histórias para crianças. O Clube tem um bonito espaço para crianças, material para desenho e um rico acervo de literatura infanto-juvenil.

Este é um projeto “para sempre”, porque tudo isso faz parte da minha missão e não sei como ficará a casinha com o passar do tempo, pois repetindo Manguel: “…toda a biblioteca é uma criação incompleta,uma obra em curso – toda a estante vazia é um anúncio de livros por vir…Toda a biblioteca sofre desse impulso de crescer para pacificar nossos fantasmas literários, de se ramificar e se inchar, até conseguir, um dia derradeiro e inconcebível, incluir todo volume jamais escrito sobre todo assunto imaginável.”

           


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QUINTAL LITERÁRIO

Realizamos anualmente o evento QUINTAL LITERÁRIO. O projeto nasceu no próprio quintal da editora, num bate-papo da equipe, uma de nossas reuniões para discutir novas ideias e juntos tivemos um insight: visualizamos que além de flores e árvores, também poderíamos semear livros em nosso quintal. E, lembrando uma frase do filme: Campo de sonhos (1989), “Se você construir ele virá”, naquele instante começamos a construir.

Com o objetivo maior de multiplicar leitores, realizamos em 2013 nosso Primeiro Quintal Literário, reunindo escritores e leitores, numa tarde de sábado, envolvendo diversos gêneros artísticos que dialogam com o livro: desenho, música, teatro, pintura… Acreditamos na ideia e realizamos o II Quintal Literário em 2014.

Estamos planejando o III Quintal, neste ano com novas ideias, como a fixação de temas: em 2015 o evento terá como tema Alice no país das maravilhas – o ano dos 150 anos da história.

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EM BUSCA DO SAPATINHO DE CRISTAL: Tarefa para sempre

Ainda contaminada com os efeitos do vestido cor de rosa, herdado pela mãe de Cinderela e rasgado pela madrasta, rodando numa chuva de estrelas, sendo transformado pela Fada Madrinha num maravilhoso vestido azul, começo a escrever este texto.

Esperei ansiosamente pelo filme da Disney e não me frustrei em nenhum momento. Há 14 anos, minha dissertação de mestrado abordava o tema. Durante uma semana, num passeio pelas livrarias, comprei 14 adaptações do conto disponíveis no mercado e comecei a realizar o estudo, confrontando-as com duas que elegi como paradigmáticas: a história dos Irmãos Grimm e a de Charles Perrault. Minha busca: estudar o elemento mágico e verificar a forma que assume em relação àquelas adaptações que considerei como modelos, inclusive constando em muitas a total supressão de etapas, tornando a historia vazia e sem seu efeito principal: enfeitiçar as crianças.

O feitiço ocorre exatamente em função da estrutura do conto de fadas, que prevê etapas encadeadas e repletas de símbolos mágicos: os arquétipos, que segundo a teoria junguiana, utilizada como teoria nesse estudo, é o ingrediente básico, uma ponte encantada construída pelo narrador, possibilitando à criança a realização de sua travessia nas diversas etapas de amadurecimento. Através da fantasia e do mágico, a criança atinge territórios onde ela se sente capaz de concretizar seus desejos, estruturando sua personalidade e obtendo as condições necessárias ao seu desenvolvimento.

Tanto na História de Charles Perrault, final do século XVII, como na dos Irmãos Grimm, século XVIII, a Cinderela percorre uma grande trajetória até conquistar seu sonho. São dois bailes na história mais antiga, a de Perrault, e três na narrativa dos Grimm. Há uma evolução de vestidos e sapatos e as tarefas são muitas até que a heroína conquiste o sucesso final, termo utilizado para definir o “felizes para sempre”. No conto dos Irmãos Grimm, não há uma Fada Madrinha configurada, mas sim a Amendoeira, que nasce de um galho, uma encomenda feita por Cinderela a seu pai, numa de suas viagens. A árvore cresce e os desejos da jovem são atendidos por um pássaro que nela pousa, simbolizando o arquétipo da grande mãe.

A Disney no século XX adaptou a história de Charles Perrault, a qual continha a fada. Tanto a adaptação para a literatura, como para o cinema, conservam os principais elementos mágicos: a fada e o sapato. Sintetiza, entretanto, todas as etapas e sofisticando e exagerando muitos símbolos. O sapato, por exemplo, sofre uma modificação na tradução, pois era de vidro em Perrault, mas é traduzido para o português como cristal. Os conceitos do bem e do mal, que não ficam tão claros e marcantes nas narrativas originais, tornam-se fortes na adaptação da Disney, mas por outro lado, a história maquia com atenuantes os castigos que são impostos às irmãs más, ao contrário dos Irmãos Grimm, os quais imprimem a elas um trágico final.

Durante o século XX, a Walt Disney envolveu as crianças com uma história de fadas leve e sem comprometimento, não ocorrendo uma trajetória completa da heroína, maltratada ao extremo, demonstrando uma bondade além da conta e sem muito esforço, é visitada por uma fada que numa só noite satisfaz seus desejos, sendo o conflito e as tarefas reduzidos a ponto de quase desaparecerem. Os animais, marcas constantes nas histórias da Disney, são os principais ajudantes da heroína, auxiliando-a a todo instante na confecção do vestido e também na sua libertação, quando é presa pela madrasta.

Cinderela não é mais uma história, cuja fonte oral seja referência das crianças do nosso século. Assim nasceu a história, que foi recolhida através da oralidade e repassada geração pós-geração, aperfeiçoada por Charles Perrault e depois pelos Irmãos Grimm, em versões diferenciadas. Popularizada ao extremo pela Disney primeiramente através da literatura, imprimindo uma face à heroína, à madrasta e às irmãs, de forma que nenhuma criança consegue imaginar estes personagens, sem essas referências. Depois, através do cinema, discos e fitas K7, que acompanhavam livros, ratificando o desenho perfeito do vestido e o brilho dos sapatos.

Inúmeras adaptações seguiram no caminho da Disney, filmes que imitavam a trajetória da heroína, modernizando, trocando e substituindo símbolos e arquétipos. Eis que agora surge o filme com roteiro de Chris Weitz, direção de Kenneth Branagh e no elenco: Lily James, Helena Bonham-Carter, Cate Blanchett e Richard Madden.

Um filme fiel ao modelo Disney, porém com surpresas sempre bem vindas com relação ao antigo.  Embora, ainda fique a lacuna de um processo mais longo da trajetória da heroína através dos três bailes, um esforço maior para conseguir seus sonhos, pelo menos buscar a abóbora, este filme encanta, hipnotiza e enfeitiça. Deu mais tempo para o romance entre o príncipe e Cinderela, deixando ocorrer a magia do olhar primeiro, mas reduzindo a artificialidade que caracterizou o filme antigo, no qual não havia nenhuma troca de palavras. O aparecimento da fada, testando a capacidade de diferenciação na personalidade da heroína, outra característica marcante do conto de fadas. A maravilhosa transformação do vestido rasgado pela madrasta, que leva o público de qualquer idade a também girar junto e realizar com a heroína a transformação daquilo que todos desejam: seja um príncipe, um castelo, uma casa, um filho, uma viagem, o sucesso profissional… Mais um mérito: a cena do jardim secreto e o balanço: um símbolo novo, uma feliz introdução, que mostra a coragem da personagem, que oscila ao sentar, depois o embalo em gradação remetendo aos passos do namoro e o próprio príncipe que lhe calça o sapato que cai no chão… Essa experiência de atualização e introdução de diferentes arquétipos é sempre enriquecedora, fortalecendo e ressignificando o conto.

Repetindo a mesma palavra dita na abertura deste texto, me sinto contaminada pela magia do filme. E observando a sessão em que assisti, o maior número era de adultos, que certamente buscavam rever e reviver, pois contos de fadas são a expressão mais pura e simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo, representando através das fadas e de seus heróis em conflito, a busca de soluções rumo a um sucesso final, contribuindo assim, trazendo a teoria junguiana, para o ingresso no processo de individuação rumo a pela realização do self.

Mesmo que ocorra uma diminuição dos símbolos, supressão de alguns e atualização e introdução de outros, a Disney tem o grande mérito da preservação e da divulgação de todo esse material arquetípico. Tais símbolos são como um cristal, que precisam irradiar seu brilho primordial e serem encontrados nas mais diversas adaptações, exatamente como os cacos de um antigo sapatinho quebrado há milhares de anos.   Recordando o final da minha dissertação: “Mesmo atualizado, precisa ser encontrado sempre na escadaria de um castelo e cumprir sua missão: levar o ser humano à realização da sua totalidade, através de uma aventura interior única que o conduzirá ao sucesso final.” Fui ao cinema em busca de mais um sapatinho de cristal. Tenho certeza de que o encontrei. Minha busca, entretanto, não terminou. “Para sempre” é uma frase que habita os contos de fadas e traduz minha tarefa.

Viviane De Gil


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PALESTRA/CURSO

O conto de fadas na formação do leitor

Uma ponte invisível

COORDENADOR

Viviane De Gil

OBJETIVOS:

·         Refletir sobre o ato de narrar histórias.

·         Perceber as variações do elemento mágico nos contos de fadas.

·         Estimular a descoberta de estratégias para despertar o prazer da leitura.

·         Sugerir atividades de trabalho com contos de fadas.

METODOLOGIA

Dinâmica de leitura de contos de fadas em grande grupo, em pequenos grupos e individualmente e, posteriormente, propor a realização de um trabalho lúdico, levando os participantes a vivenciarem as técnicas propostas.

RECURSOS NECESSÁRIOS

·         Computador e projetor

·         Material para realizar um trabalho escrito.( papel e caneta)

NÚMERO MÁXIMO DE PARTICIPANTES ( Professores e bibliotecários)

Até 20 participantes.