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Editora e Distribuidora

Valentina e o Feijao: finalista do prêmio Ages 2017

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QUARTO QUINTAL LITERÁRIO VIVILENDO 2016

O Quarto Quintal Literário Vivilendo lotou o quintal da editora no último sábado, dia 22 de outubro, quando mais de 50 crianças reinventaram e brincaram no maravilhoso mundo de Roald Dahl. O autor que completaria 100 anos em setembro foi o tema escolhido para este quintal.
Viviane De Gil, diretora da editora Vivilendo realizou a abertura, salientando o tema: “O Maravilhoso mundo de Roald Dahl na nossa fábrica de livros”. Em seu discurso, saudou e agradeceu a presença do público, de sua equipe, aos filhos Guilhermo Gil e Giordano Gio, além de salientar o apoio constante do marido Gilberto Rossi Gil, fundador e professor na Escola Naútica Antônio Pigafeta ( ENAP), que também apoiou o evento. Enfatizou agradecimentos especiais à Escola Estadual Gustavo Armbrust, à diretora, vice-diretora, coordenadores, equipe de professores e aos alunos do quarto ano pela parceria em mais um ano de projeto. O Envolvimento com Roald Dahl e seus livros começou em agosto, quando todos os alunos do quarto ano foram convidados a mergulharem em toda a obra do autor e expressarem de forma artística um de seus livros. O resultado foi uma exposição de desenhos, pinturas, folders explicativos e álbuns de figurinhas, fazendo parte do Quintal como um destaque para que fossem vistos por todos. Foi também salientado que o evento foi ampliado com uma visita dos alunos a uma gráfica, uma fábrica de livros, como uma alusão à Fantástica Fábrica de Chocolate, obra mais importante do autor. Como os alunos das outras séries também manifestaram desejo de participar, o Quintal também visitará a escola, um bate- papo com os alunos sobre os livros escolhidos e a realização de uma feira do livro. A diretora propôs que o novo projeto fosse chamado de “Projeto Vivilendo: Quintal Literário da Escola Gustavo”. Essas atividades acontecerão em novembro.
Viviane De Gil declarou aberto o Quintal Literário em todos os sentidos, inclusive citando seu convite a autores e editoras independentes que desejassem divulgar seu trabalho no evento e também no sentido de que as crianças precisam de um quintal aberto. Citou alguns livros de Roald Dahl em que as personagens buscam soluções além de seu quintal: “Em “Os Minpins”, a mãe de Billy estava sempre dizendo exatamente o que ele podia e o que ele não podia fazer… E uma das coisas que ele não podia fazer de jeito nenhum era sair do portão do jardim e explorar o mundo lá fora… É claro que ele foi e viveu sua aventura e resolveu seus conflitos. Desejo que todos vocês levem este quintal de lembrança, mas sigam sempre além deste e além de seus próprios quintais…”
Na sequência do evento, o cineasta e historiador da arte, Giordano Gio realizou uma palestra sobre o autor homenageado, contando curiosidades à respeito de seus livros mais significativos. Segundo ele, nos posfácio do livro “O Vigário de Mastigassílabas”, o ilustrador de Roald Dahl, Quentin Blake, afirma o quanto o escritor era generoso com seus leitores, levando horas assinando autógrafos e trocando palavrinhas com as crianças, além de responder às milhares de cartas, tanto para crianças como para os professores, além de fazer várias doações para diversas instituições de caridade, inclusive àquelas que tratavam de dislexia, um tema abordado no livro. Giordano falou sobre o processo de criação do autor, a forma de escrever e o especial cuidado com a infância, um lugar eleito por Roald Dahl para brincar, se aventurar e praticar travessuras, por vezes ousadas e até perversas, caso a criança precisasse derrotar bruxas, gigantes e adultos repressivos.
Participaram do evento os autores Vivilendo, José Leopoldo Dexheimer, com o livro “Sabidex – a lista mágica”, Dalva Bonato, com o livro “Os armários guardam segredos que só as gavetas sabiam”, Gabriel Cianeto com os livros “Imaginário” e “Londres”, Wanda Queiroz com o livro “O menino Dinossauro” e Carmem TG Engel ( autora do livro “Novelo de Vida” ) que recitou um poema. O quarto Quintal Literário também contou com a presença de autores independentes: Marisa Krás Borges, que falou sobre “Duda de Yorkshore” e Rafael Machado Costa, escritor e diretor da editora Kaijuu, que falou sobre os livros CJC e Historinhas que habitam o céu.
A alegria e diversão das crianças atingiu o ponto alto durante o sorteio de brindes. Chocolates foram distribuídos para todas as crianças, mas em quinze deles havia o Cupom dourado Wonka, que dava direito ao brinde correspondente ao número tirado. As crianças ganharam livros, chocolates e material para desenho. ‘Wonkas’, a ‘Convenção das Bruxas’ em peso, ‘Matildas’, ‘Ratos’ e várias personagens de Roald Dahl tornaram o Quarto Quintal Literário inesquecível. Agradecemos a todos os presentes, mas um MUITO OBRIGADA “GIGANTE” à Escola Estadual Gustavo Armbrust, direção, equipe de professoras e crianças maravilhosas, que tornaram recriaram de corpo e alma o universo encantado de Roald Dahl e eternizaram este Quarto Quintal Literário. “Levem esta lembrança e voem além dos seus quintais”!


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ESTALOS…

 

…de pequenos objetos chamaram sua atenção. Ana não conseguia dormir, as imagens apavorantes do pai morto, de sua mãe com o amante, de Alex e Manchado tentando encontrá-la, de Eliana sendo dopada e enganada por eles, tudo isso lhe vinha à mente, sem que ela conseguisse organizar os pensamentos ou mesmo dispensá-los como fazia com as preocupações que tinha antes desses acontecimentos. A troca de escola, aguentar um pouquinho os papos chatos dos amigos, o fato de ela ser considerada um pouco estranha, a falta de seus amigos, as traições do pai, a maluquice da avó, seu desejo não atendido de estudar na escola náutica, a incompreensão da mãe sobre sua personalidade, tudo isso parecia ridículo diante do que ela estava vivenciando.

Queria seus problemas de volta, sua vida igualzinha, era tão fácil lidar com aquilo. Por que não mostravam um filme, pensava ela, de como poderia ser pior, só para que fosse mais simples estar feliz com a vida como ela era? Algumas lágrimas rolaram, mas ela tentou contê-las. Precisava ser forte e pensar numa solução. Não poderia ficar fugindo com essa doida. Nesse instante, ela começou a escutar os pequenos estalos, pareciam objetos tilintando, caindo um sobre outro, então tentou enxergar, sem que fosse vista. Ana tinha uma lanterna pequena e estava sentada num canto com uma espécie de caixa de madeira, a qual continha algumas bolinhas luminosas, ela pegava cada uma e a colocava numa caixa, passando de um lugar para outro. Seu rosto tinha uma expressão indecifrável, um brilho que a menina não sabia se vinha da lanterna ou de seus olhos. Aquilo chamou tanto sua atenção, que, sem sentir, ela levantou a cabeça para olhar.

Como num passe de mágica, Ana a viu e partiu para cima dela, incontrolável, tomada de um acesso de loucura. Já levantava a taquara decidida a espancar a menina.

— Você está me espionando? Não tem medo do perigo? Quer meu tesouro? — disse ela, pegando a menina pelos braços, sacudindo-a braços e ameaçando-a com a vara…”

FRAGAMENTO DO LIVRO : DE PIRATAS E PÉROLAS , de Viviane De Gil.cenário 2


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EM BUSCA DO SAPATINHO DE CRISTAL: Tarefa para sempre

Ainda contaminada com os efeitos do vestido cor de rosa, herdado pela mãe de Cinderela e rasgado pela madrasta, rodando numa chuva de estrelas, sendo transformado pela Fada Madrinha num maravilhoso vestido azul, começo a escrever este texto.

Esperei ansiosamente pelo filme da Disney e não me frustrei em nenhum momento. Há 14 anos, minha dissertação de mestrado abordava o tema. Durante uma semana, num passeio pelas livrarias, comprei 14 adaptações do conto disponíveis no mercado e comecei a realizar o estudo, confrontando-as com duas que elegi como paradigmáticas: a história dos Irmãos Grimm e a de Charles Perrault. Minha busca: estudar o elemento mágico e verificar a forma que assume em relação àquelas adaptações que considerei como modelos, inclusive constando em muitas a total supressão de etapas, tornando a historia vazia e sem seu efeito principal: enfeitiçar as crianças.

O feitiço ocorre exatamente em função da estrutura do conto de fadas, que prevê etapas encadeadas e repletas de símbolos mágicos: os arquétipos, que segundo a teoria junguiana, utilizada como teoria nesse estudo, é o ingrediente básico, uma ponte encantada construída pelo narrador, possibilitando à criança a realização de sua travessia nas diversas etapas de amadurecimento. Através da fantasia e do mágico, a criança atinge territórios onde ela se sente capaz de concretizar seus desejos, estruturando sua personalidade e obtendo as condições necessárias ao seu desenvolvimento.

Tanto na História de Charles Perrault, final do século XVII, como na dos Irmãos Grimm, século XVIII, a Cinderela percorre uma grande trajetória até conquistar seu sonho. São dois bailes na história mais antiga, a de Perrault, e três na narrativa dos Grimm. Há uma evolução de vestidos e sapatos e as tarefas são muitas até que a heroína conquiste o sucesso final, termo utilizado para definir o “felizes para sempre”. No conto dos Irmãos Grimm, não há uma Fada Madrinha configurada, mas sim a Amendoeira, que nasce de um galho, uma encomenda feita por Cinderela a seu pai, numa de suas viagens. A árvore cresce e os desejos da jovem são atendidos por um pássaro que nela pousa, simbolizando o arquétipo da grande mãe.

A Disney no século XX adaptou a história de Charles Perrault, a qual continha a fada. Tanto a adaptação para a literatura, como para o cinema, conservam os principais elementos mágicos: a fada e o sapato. Sintetiza, entretanto, todas as etapas e sofisticando e exagerando muitos símbolos. O sapato, por exemplo, sofre uma modificação na tradução, pois era de vidro em Perrault, mas é traduzido para o português como cristal. Os conceitos do bem e do mal, que não ficam tão claros e marcantes nas narrativas originais, tornam-se fortes na adaptação da Disney, mas por outro lado, a história maquia com atenuantes os castigos que são impostos às irmãs más, ao contrário dos Irmãos Grimm, os quais imprimem a elas um trágico final.

Durante o século XX, a Walt Disney envolveu as crianças com uma história de fadas leve e sem comprometimento, não ocorrendo uma trajetória completa da heroína, maltratada ao extremo, demonstrando uma bondade além da conta e sem muito esforço, é visitada por uma fada que numa só noite satisfaz seus desejos, sendo o conflito e as tarefas reduzidos a ponto de quase desaparecerem. Os animais, marcas constantes nas histórias da Disney, são os principais ajudantes da heroína, auxiliando-a a todo instante na confecção do vestido e também na sua libertação, quando é presa pela madrasta.

Cinderela não é mais uma história, cuja fonte oral seja referência das crianças do nosso século. Assim nasceu a história, que foi recolhida através da oralidade e repassada geração pós-geração, aperfeiçoada por Charles Perrault e depois pelos Irmãos Grimm, em versões diferenciadas. Popularizada ao extremo pela Disney primeiramente através da literatura, imprimindo uma face à heroína, à madrasta e às irmãs, de forma que nenhuma criança consegue imaginar estes personagens, sem essas referências. Depois, através do cinema, discos e fitas K7, que acompanhavam livros, ratificando o desenho perfeito do vestido e o brilho dos sapatos.

Inúmeras adaptações seguiram no caminho da Disney, filmes que imitavam a trajetória da heroína, modernizando, trocando e substituindo símbolos e arquétipos. Eis que agora surge o filme com roteiro de Chris Weitz, direção de Kenneth Branagh e no elenco: Lily James, Helena Bonham-Carter, Cate Blanchett e Richard Madden.

Um filme fiel ao modelo Disney, porém com surpresas sempre bem vindas com relação ao antigo.  Embora, ainda fique a lacuna de um processo mais longo da trajetória da heroína através dos três bailes, um esforço maior para conseguir seus sonhos, pelo menos buscar a abóbora, este filme encanta, hipnotiza e enfeitiça. Deu mais tempo para o romance entre o príncipe e Cinderela, deixando ocorrer a magia do olhar primeiro, mas reduzindo a artificialidade que caracterizou o filme antigo, no qual não havia nenhuma troca de palavras. O aparecimento da fada, testando a capacidade de diferenciação na personalidade da heroína, outra característica marcante do conto de fadas. A maravilhosa transformação do vestido rasgado pela madrasta, que leva o público de qualquer idade a também girar junto e realizar com a heroína a transformação daquilo que todos desejam: seja um príncipe, um castelo, uma casa, um filho, uma viagem, o sucesso profissional… Mais um mérito: a cena do jardim secreto e o balanço: um símbolo novo, uma feliz introdução, que mostra a coragem da personagem, que oscila ao sentar, depois o embalo em gradação remetendo aos passos do namoro e o próprio príncipe que lhe calça o sapato que cai no chão… Essa experiência de atualização e introdução de diferentes arquétipos é sempre enriquecedora, fortalecendo e ressignificando o conto.

Repetindo a mesma palavra dita na abertura deste texto, me sinto contaminada pela magia do filme. E observando a sessão em que assisti, o maior número era de adultos, que certamente buscavam rever e reviver, pois contos de fadas são a expressão mais pura e simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo, representando através das fadas e de seus heróis em conflito, a busca de soluções rumo a um sucesso final, contribuindo assim, trazendo a teoria junguiana, para o ingresso no processo de individuação rumo a pela realização do self.

Mesmo que ocorra uma diminuição dos símbolos, supressão de alguns e atualização e introdução de outros, a Disney tem o grande mérito da preservação e da divulgação de todo esse material arquetípico. Tais símbolos são como um cristal, que precisam irradiar seu brilho primordial e serem encontrados nas mais diversas adaptações, exatamente como os cacos de um antigo sapatinho quebrado há milhares de anos.   Recordando o final da minha dissertação: “Mesmo atualizado, precisa ser encontrado sempre na escadaria de um castelo e cumprir sua missão: levar o ser humano à realização da sua totalidade, através de uma aventura interior única que o conduzirá ao sucesso final.” Fui ao cinema em busca de mais um sapatinho de cristal. Tenho certeza de que o encontrei. Minha busca, entretanto, não terminou. “Para sempre” é uma frase que habita os contos de fadas e traduz minha tarefa.

Viviane De Gil